Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Compulsão, publicado pela Itapuca e escrito por Paula Vinagre. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
A história acompanha um grupo de pessoas que decide participar de um retiro terapêutico em Miguel Pereira, na região serrana do Rio de Janeiro. Vindos de realidades completamente diferentes, todos carregam um mesmo objetivo: enfrentar compulsões que tomaram conta de suas vidas. Há quem lute contra o vício em jogos, compras, álcool, sexo, comida, cirurgias plásticas, furtos e tantas outras dependências que, pouco a pouco, destruíram relacionamentos, carreiras e a própria autoestima.
O retiro é conduzido pelo terapeuta holístico Ricardo Marcondes, que acredita que a combinação entre meditação, contato com a natureza e exercícios de autoconhecimento pode ajudar seus hóspedes a compreenderem a origem de seus comportamentos. Durante os primeiros dias, o grupo começa a criar vínculos, compartilhar histórias e revisitar traumas que, muitas vezes, estavam enterrados há anos.

Mas tudo muda quando uma tempestade isola completamente o sítio. O que parecia ser apenas um processo de cura rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência. Assassinatos brutais começam a acontecer, deixando claro que alguém naquele lugar possui intenções muito diferentes das prometidas pelo retiro. Enquanto tentam descobrir quem está por trás das mortes, os participantes também precisam enfrentar seus próprios medos, porque o passado de cada um parece estar muito mais ligado aos acontecimentos do que imaginavam.
O que mais me chamou atenção em Compulsão foi justamente a construção dos personagens. Antes de apostar no suspense, Paula dedica um bom tempo para apresentar cada um deles, mostrando como suas compulsões surgiram e de que maneira elas passaram a controlar suas vidas. Isso faz bastante diferença, porque quando a tensão aumenta nós já conhecemos aquelas pessoas e entendemos o peso que cada uma carrega.
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Gostei muito da escolha de alternar a narrativa entre o presente e capítulos que mostram o passado dos personagens. Aos poucos, vamos entendendo como cada trauma contribuiu para formar aquelas personalidades e percebemos que ninguém chegou ao retiro por acaso. São histórias diferentes entre si, mas todas conversam com a proposta central do livro de discutir os gatilhos por trás das compulsões humanas.
Outro ponto que funcionou muito bem foi o ritmo da leitura. Os capítulos são curtos, sempre terminam despertando curiosidade e fazem com que seja difícil interromper a leitura. Quando o suspense finalmente assume o protagonismo, a história ganha ainda mais velocidade sem deixar de lado aquilo que construiu anteriormente.
Também gostei da maneira como a autora distribui as pistas ao longo da narrativa. Em alguns momentos imaginei que já havia entendido o rumo da história, mas o livro consegue surpreender sem recorrer a soluções forçadas. As revelações fazem sentido dentro do contexto apresentado desde o início e mudam completamente a percepção sobre alguns personagens. Me lembrou muito um livro que amo demais chamado "Nove Desconhecidos", da Liane Moriarty.
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Além do suspense, acredito que o maior mérito da obra esteja na forma como ela trata as compulsões, isso porque nenhum personagem é definido apenas pelo seu vício! Pelo contrário, a autora procura mostrar as dores, inseguranças e experiências que contribuíram para que cada um chegasse àquele ponto. Isso dá mais profundidade à narrativa e torna a leitura muito mais interessante.
Compulsão consegue equilibrar suspense, investigação e desenvolvimento psicológico de uma forma bastante envolvente. É um livro que prende pela curiosidade em descobrir quem está por trás dos crimes, mas também pelo interesse em conhecer melhor as histórias de cada personagem. Para quem gosta de thrillers com bastante tensão, capítulos rápidos e personagens marcados por conflitos internos, essa é uma leitura que vale a pena conhecer.
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