Organizadores: Terry Eagleton
Editora: Unesp
Páginas: 432
Ano de publicação: 2013
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Nessa magnífica obra, Terry Eagleton oferece um estudo abrangente da tragédia – de Ésquilo a Edward Albee –. discutindo tanto a teoria quanto a prática e transitando entre noções de tragédia e análises de obras e autores em particular. Essa surpreendente tour de force vai além do palco e reflete não apenas sobre a arte do trágico, mas também sobre tragédia na vida real. Explora a noção do trágico no romance, examinando escritores como Melville, Hawthorne, Stendhal, Tolstói, Flaubert, Dostoiévski, Kafka, Manzoni, Goethe e Mann, assim como romancistas ingleses.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Doce violência: A ideia do trágico, lançado pela editora Unesp. O livro é de autoria de Terry Eagleton e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Se há algo que define a tragédia, é sua capacidade de nos confrontar com a finitude e a catástrofe. Em "Doce Violência", Eagleton expande sua investigação sobre o famoso gênero para os contornos filosóficos, políticos e históricos do trágico, construindo um estudo que vai além dos limites da dramaturgia clássica. Afinal, o que torna um evento ou uma narrativa verdadeiramente trágica? E mais: por que continuamos fascinados por esse tipo de representação?
A premissa da obra é clara: a tragédia acaba sendo um reflexo das contradições da existência. Eagleton inicia sua jornada explorando a tragédia grega, em autores como Ésquilo e Sófocles, e avança para a modernidade, dialogando com Shakespeare, Ibsen, Brecht e outros.
O que eu achei mais interessante no livro é a forma como a noção de tragédia é expandida para o romance, e nomes como Dostoiévski, Kafka, Tolstói e Melville entram na discussão. O trágico, segundo Eagleton, não é exclusivo do palco – ele permeia a literatura, a política e até a vida cotidiana.
Eagleton argumenta que a tragédia não é simplesmente uma história de sofrimento. Seu cerne está na colisão de forças inconciliáveis – sejam elas éticas, sociais ou metafísicas. O que distingue a tragédia de uma mera desgraça é justamente a necessidade de escolha, a ausência de soluções fáceis.
Tomemos "Antígona", por exemplo: sua tragédia não reside apenas na morte, mas na oposição irreconciliável entre lei e moralidade. Eagleton aponta que o trágico surge quando duas verdades entram em conflito, e nenhuma delas pode ser plenamente vitoriosa sem algum tipo de destruição.
Outro ponto fascinante do livro é sua relação com a política. A tragédia, para Eagleton, tem um potencial subversivo: ao expor o colapso da ordem, ela revela suas fraquezas. Em um mundo que busca constantemente racionalizar o sofrimento e torná-lo palatável, a tragédia resiste, demonstrando que algumas dores não podem ser justificadas ou redimidas.
Para quem busca uma análise densa e provocativa sobre o tema, esta é uma leitura indispensável.